Diz-se que todo bom sexo começa com boas preliminares… presumindo que o mesmo se aplique a uma boa coluna, começo nossas preliminares com todo carinho que posso.

Meu nome é Kid Bradshawn; nasci em Quel’Thalas; e sou uma completa apaixonada por Undercity, a cidade em que mantenho residência. Fui uma das Blood Elves ressurretas pelo Lich King para combater o Scarlet Enclave e, depois que este meu antigo patrão faliu, passei a escrever esta coluna para o “Arauto de Undercity”, um jornal de modesta circulação e grandes aspirações.

Quando o senhor Mograine, meu novo editor, me sugeriu que usasse a Crown Chemical Company como fonte de inspiração e pesquisa para minha coluna, tentei manter o humor, uma vez que acabara de ter uma grande decepção com meu último patrão e que odiava que me cobrassem entregas com sugestões como aquela.

Não é qualquer autora que admite não ter a menor idéia sobre o que escrever, mas o fato é que fiquei boquiaberta ao passar pelos portais das ruínas de Lordaeron e ser recebida por mini-goblins voadores e pelo RP da Crown Chemical Co., me oferecendo um bico como “garota do perfume”.

Depois de tentar o “bico” por uns dez minutos e receber olhares críticos a cada borrifada, decidi voltar ao relações públicas e verificar se ele tinha idéia de quem eu era, o que se mostrou uma boa medida, diante de sua resposta:

- “Oh! Bradshawn! Me disseram que era o autor da coluna, mas não que era uma… ehr… fêmea.”

A irritação fora imediata mas, depois de refletir um instante acabei por me questionar: Será que uma elfa ressurreta bem sucedida como eu espera demais dos goblins ao seu redor? Será que “fêmeas” como nós somos tão reativas a sermos julgadas como menos do que somos?

Será que nós, mulheres, acreditamos usar um crachá imaginário?

Odiamos ser julgados, todos nós, e não há a menor dúvida de que julgamos a todos a todo momento. Seja pela aparência, pelas atitudes ou pelo que quer que seja, se está aparente é evidência suficiente para que acreditemos que nosso julgamento é suficiente para condenar o objeto de nossa avaliação.

Podemos até dizer que não o fazemos, mas julgar não é mais que pensar se algo é certo ou errado, bom ou ruim, bonito ou feio – e que Blood Elf ressurreta pode negar ter visto um tipo da mesma raça, bem apanhado e julgado-o metrossexual de imediato?!

Em um mundo como o de hoje, se um Blood Elf, um Forsaken, um Taureen, um Orc ou – que Sunwell Grove nos abençoe – um Troll ou um Goblin, nos passa uma má impressão, a primeira coisa que fazemos é puxar meio palmo de lâmina da bainha só por via das dúvidas e ter certeza que o sujeito não chegue perto de nós.

Essa intolerância, contudo, me parece ser diretamente proporcional a nossa reação em ser julgadas na mesma medida.

Ser bem sucedida, para uma fêmea, se tornou algo tão difícil de conseguir que somos incapazes de ser erroneamente identificadas como só mais uma?

Segundo Puttz, filho de pOttz, um Orc Death Knight de nível 59 lotado na guilda Shockwave, “Não é que as mulheres tenham mais dificuldades de ser julgadas que os homens… é que elas simplesmente odeiam isso!”

Antes que alguém “malde”, não eu não tive nada com o Puttz, embora não tenha nada contra criaturas grandes e verdes…

Mas parece que esta sensação não é só dele. Sieglind, filha de Arsakis – uma Troll, Warrior, de nível 8 lotada na guilda Crazyboobs – disse que “A questão não é que as mulheres tenham mais dificuldade em ser julgadas pelos homens, mas que elas têm mais dificuldade em aceitar o tal julgamento”. Tenha ou não alma de homem, Sieglind não me parece estar muito distante da verdade.

A mulher, em Azeroth, tem um passado complicado e – enquanto gênero – precisamos ter muito trabalho para chegar onde estamos hoje. Particularmente as Blood Elfs Death Knight até estão bem representadas pela poderosa figura da Dark Lady Sylvanas Windrunner, mas vamos e convenhamos… trata-se de uma badgirl de carteirinha (ela que me perdoe).

No fim, atribuo essa reatividade toda, essa nossa reação exagerada a qualquer julgamento que nos identifique como menos do que de fato somos, a força que a gente teve que fazer para conquistar o que conquistamos.

O mais difícil agora, talvez, seja admitir que o tal “tudo que conquistamos” não basta e que não queremos só liberdade e igualdade, mas que continuamos interessadas em ter alguém ao nosso lado, nem que seja só pra compartilhar todas essas conquistas.

Eu? Eu sou solteira por enquanto… às vezes injusta, às vezes implicante e às vezes nojentinha… mas ei! Estes são só os meus defeitos e as minhas defesas. Não seja tão rápido em me julgar!

Undercity não é uma cidade para qualquer garota, mas garotas como eu não são encontradas em qualquer cidade…

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6 Respostas to “Julgamentos”
  1. Anvveena says:

    Nossa mt tri a ultima parte

    ÁDÓREI!!

  2. Mario says:

    Sabe que eu sempre achei que o julgamento fosse algo mais usado contra as mulheres, do que algo que fosse inerente a todos.

    Afinal, os homens, são notoriamente conhecidos por não adimitir os seus erros, né?

    Acho que a grande dificuldade é que, já há tantos concorrentes a serem vencidos, onde cada raça já tem suas qualidades, que os homens, começam a se preocupar com a concorrência feminina!

    Afinal, quão bom seria se elas ficassem em casa, passando e lavando, né?

    Agora, tê-las treinando lado a lado com você, gera uma situação tão desconfortável… E uma concorrência mais desconforável ainda.

    Talvez os julgamentos não sejam formas de manter as mulheres mais controláveis… Ou ao menos, mais longe da concorrência possível…

    Afinal, os homens podem achar sexy uma garota empunhando uma espada com as duas mãos, até ela bater mais forte que você! Aí a coisa muda de figura!

  3. Kid Bradshawn says:

    Muito profundas as suas reflexões =)

    E, quanto ao seu último parágrafo, esse é nosso pequeno segredo para ganhar as lutas mais improváveis!

    Pena que não funciona com NPCs =/

  4. Mario says:

    Sim!!! De fato. Por isso eu parei de ficar reparando seu o inimigo é homem ou mulher, para não ser enganado.

    Ficar ali reparando em certas coisas, deixando a mente divagar… Quando acorda tu, já é tarde demais!

    Por isso que eu sempre digo, que Blood Elf mulheres são sempre as mais perigosas! Se tu for homem da aliança! ;-)

  5. Anvveena says:

    uahsuahushuahuahs Bela Percepção (soory s eu escrevi errado)

  6. Nâo Interessa says:

    Boa iniciativa, sem duvida é algo diferente e em portugues, tomara que vc continue exercitando sua criatividade, gostei mto dos seus textos.

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